Estação AP42

Por Antonio P. Carvalho

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Crônica: To Kill a Reader

Pixabay Relutava. Há dois dias tentava vencer as poucas mais de cem páginas restantes, mas as minhas vinte e quatro horas não eram como as de todo mundo. Dei as costas para o balcão e acabara de sentar quando, de longe, vi um velho parado à porta, a me fitar. Lá fora, o sol pairava sobre a copa das árvores. Não havia sinais de nuvens — o tal céu de brigadeiro, não é?

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Vida Cristã: Deus Não Aceita Atalhos

Yuri Quintanas Art É com uma facilidade perturbadora que muitos de nós nos afastamos da presença de Deus. Tenho a percepção de que a simples transição de ambientes — o deslocamento entre a casa, a igreja e o trabalho — acaba por ocasionar uma espécie de “fragmentação” espiritual. A triste realidade é que raramente conseguimos sustentar a mesma conduta e integridade nesses três ambientes distintos; somos camaleões quando deveríamos ser constantes.

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PTA nos entrega tudo mais uma vez - Uma Batalha Após a Outra

Divulgaçã WB Talvez sejam apenas loucuras advindas da minha mente, mas, durante vários enquadramentos e cenas, tive a impressão de estar assistindo a um filme de ação de Wes Anderson. De fato, apenas uma impressão passageira, pois, nos minutos seguintes, a sensação era a de estar imerso, inconfundivelmente, em uma obra de Paul Thomas Anderson (PTA). Em Uma Batalha Após a Outra, um grupo de guerrilheiros faz de tudo para sustentar uma resistência quase falida, há muito perseguida pelas autoridades norte-americanas.

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Honestidade íntima - A Vergonha

Annie Ernaux Para compreender a dimensão da obra de Ernaux, precisamos primeiro desmistificar esse conceito de “escrita plana” (ou écriture plate, no original). Não se deve confundir “plana” com simplória ou superficial. Imagine que, ao narrar um fato, a autora decida deliberadamente retirar dele qualquer excesso: adjetivos ornamentais, metáforas líricas ou julgamentos morais são descartados. A escrita de Ernaux funciona não como uma pintura impressionista, que busca evocar sentimentos através das cores, mas sim como uma fotografia forense ou um bisturi cirúrgico.

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Pirraça, pernas, perseguição e mais - O Agente Secreto

Reprodução - O Agente Secreto - Kleber Mendonça Filho Em um diálogo recente com meu pai, ele comentou que os primeiros filmes de Kleber Mendonça Filho (KMF) possuíam um caráter muito autoral — ou, para usar o termo exato dele, “artesanal”. Até aquele momento, eu jamais havia me detido sobre essa característica. Recordei-me, então, de uma entrevista em que o próprio KMF brincava com o fato de sempre lhe perguntarem quem assinava sua direção de arte, ao que ele respondia: “eu mesmo”.

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Mais um monstro para a coleção de Del Toro - Frankenstein

Frankenstein - Netflix Adaptações cinematográficas de livros já consagrados enfrentam, da minha parte, determinado receio — seja pela expectativa elevada, seja pela inevitável transformação que a obra sofre ao ser transposta para a tela. Guillermo del Toro, contudo, é conhecido por seu imenso talento no que tange ao apuro estético. Há uma marca autoral carregada em seus filmes, notórios não apenas pelo vislumbre visual, mas também pela primazia de seus textos cinematográficos.

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O Universal no Particular - Uma Mulher (Une Femme)

Annie Ernaux - Une Femme A literatura, quando atrativa — e quando possuidora do idioma que é nativo ao leitor —, tem o poder arrebatador de nos transportar para dentro de nós mesmos, acessando nuances de sentimentos e memórias. Ela acaba por criar uma conexão imediata e visceral, derrubando as fronteiras entre quem escreve e quem lê, transformando o texto em uma conversa silenciosa. Esse efeito torna-se possível, sobretudo, ao se tocar em temas que são universais e caros a muitos de nós.

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A Vida Como Ela É - O Lugar (La Place)

Annie Ernaux - La Place Reconheço a urgência em escrever em qualquer instância; o mesmo ocorre comigo. Nos últimos dias, li o que Annie Ernaux descreve como socioautobiografia. A leitura escolhida fora O Lugar. No livro, Ernaux narra a trajetória humilde de seu pai, que vivera no interior da França, num cenário pastoril que, para muitos, poderia ser descrito de forma idílica. Todavia, a autora — conhecida por sua “literatura plana” (écriture plate) — nos convida a observar a vida no campo de forma crua, tal como ela é.

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Retorno a Jimbocho - Uma Noite na Livraria Morisaki (Zoku Morisaki Shoten no Hibi)

Jimbocho Book Town - Tokyo Não sou tão religioso quando se trata de sequências; digo, se finalizo o primeiro livro de uma série, não procuro ler o livro seguinte de imediato. Tento absorver o máximo possível da obra e, por vezes, simplesmente sigo lendo um outro livro, até que retorne ao volume seguinte da série que iniciara. Entretanto, dessa vez, decidi dar sequência à duologia da Livraria Morisaki e segui atento à narrativa de Takako.

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Um reencontro com a leitura - Meus Dias na Livraria Morisaki (Morisaki Shoten no Hibi)

Jimbocho Book Town - Tokyo Houve um período da minha vida em que eu tinha por hábito — e genuíno prazer — ler três ou quatro livros num único mês. Durante a minha transição da adolescência para a vida adulta, isso se tornou um hábito ainda mais intenso, pois ingressara no curso de Letras. Não mais pelo simples prazer, mas agora também por obrigação, eu lia muito mais, enquanto dividia o meu tempo entre os estudos e uma escala 6x1 na Starbucks.

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